Tag Archives: tipografia
Nota

A classificação Vox-AtyPI

6 nov

A Classificação Vox-AtyPI

A classificação Vox-AtyPI foi criada em 1954, quando o tipógrafo e pesquisador francês Maximilien Vox criou um sistema de classificação tipográfica que dividia os tipos em 9 categorias principais: Humanistas, Garaldes, Transicionais, Didones, Egípcias, Lineares, Cinzeladas, Cursivas e Manuais. Adiante, e em 1967 a AtyPI (Association Typographique Internationale) adotou a classificação.

A classificação Vox-AtiPY é atualmente a mais usada, e abaixo estão as categorias e suas características:

Humanista (Humane)

As fontes Humanistas surgiram entre 1460 e 1470, não foram criadas com base em um estilo gótico, mas em formas leves e abertas dos escritores humanistas italianos da época.

Caractísticas:

  • A barra no “e” minúsculo inclinada;
  •  A altura do tipo é relativamente baixa;
  •  As larguras dos braços da fonte quase não variam, sua espessura se mantém mediana;
  •  É bastante utilizada com cores escuras.

E aqui estão alguns exemplos de tipos Humanistas: Jenson, Kennerly, Centaur, Stempel Schneidler, Verona, Lutetia, Jersey, Lynton.

Garaldes

Garalde em francês (por Garamond) aparecem no final do século XVI na França, a partir das gravuras de Grifo para Aldo Manuzio.

Características:

  • As serifas agudas;
  • Seu traço apresenta um mediano contraste entre finos e grossos;
  • O eixo da fonte é vertical, mas não totalmente racional, ou seja, em 90° graus;
  • E a mais marcante, o “e” tem sua barra totalmente reta.

Entre elas destacam as fontes Garamond, Caslon, Century Oldstyle, Goudy, Times New Roman e Palatino.

Reais (Réale)

A estética desse grupo se caracteriza com a escrita Roman du Roi, desenvolvida na França em 1692, que foi construída em uma malha geométrica, mostrando assim os ideais racionalistas e realistas do enciclopedismo na França.

Características:

  • Ênfase no eixo vertical do tipo;
  • Maior contraste entre traços finos e grossos.
  • São serifadas.

Exemplos do tipo Real: Baskerville, Perpetua e Times New Roman.

 

Didones

Originado dos sobrenomes de Firmin Didot e Giambattista Bodoni, famosos pelas letras parecidas. O tipo criado no final do século XVIII mostra muito sobre a época em que foi criada, com impérios e a Restauração Francesa posteriormente. Usavam esses tipos em documentos oficiais, dando uma sensação autoritária nos seus traços incisivos e contrastantes, o que requer um uso de claros e escuros na página.

As características mais marcantes do tipo são:

  • Contraste em branco e preto utilizado ao extremo;
  • A redução da abertura interna da fonte;
  • Seu eixo é precisamente reto.

Alguns exemplo de Didones : Bodoni, Didot,Wallbaum.

 

 

Incisas (Incise)

As incisas são de tradição romana da antiguidade.

Características:

  • Pouco contraste em sua espessura, com um traço pontiagudo e fino.
  •  Não apresenta serifas, mas seus pés são afunilados, dando impressão de uma linha imaginária na leitura.
  • Sua forma larga e seus traços finos as tornam muito legíveis a qualquer corpo, embora seja difícil a digitalização.

Exemplos: Alinea e Baltra.

 

Lineares (Linéale)

Surgiram no início do século XX, apoiando a ideia da simplicidade e do funcionalismo, banindo todos os tipos de adereços possíveis. Esta vertente suavizada buscou inspiração de formatos geométricos, como o quadrado e circulo. Artistas da época como De Stjil contribuíram com essa formação, mas Futura foi a primeira fonte linear de grande sucesso, produzida por Paul Renner.

  • Não possuem serifas;
  • Não apresentam variações na expessura.

Exemplos de Lineares: Century Gothic, Helvetica, Segoi UI Light.

 

 Mecânica (Mécane)

Surgiram durante a revolução industrial, pois surgiram muitos novos produtos e houve a necessidade de diferenciar esses produtos para chamar a atenção, assim aconteceu com novos jornais da época. As empresas distorciam as fontes originais com intuito de formar uma nova, e assim nasceram as mecânicas(ou egípcias).

Características:

  • As serifas são o grande marco das mecânicas, que deixou de ser acabamento caligráfico e virou ponto de atenção dos tipos;
  • Quase não apresenta contraste na espessura do traço;
  • E a altura é elevada.

Exemplos de mecânicas: Clarendon, Rockwell e Luballing.

 

Cursivas (Scripte)

Surgem juntamente ao Renascentismo. Este tipo costuma mostrar escritas manuais informais, sem muita padronização. Destacaram-se nas décadas de 50 e 60, e hoje em dia parece estar voltando a uso.

Exemplos do tipo: Brush, Kauffman, Balloon, Mistral, Chalk Line e Freestyle Script.

 

Caligráficas (Manuaire)

Surgem a partir de influências de formas rústicas, romanas, inglesas, e com o tempo a escrita caligráfica se tornou cada vez mais decorativa. Hoje em dia é utilizada em convites de cerimônias e eventos.

Características:

  • Geralmente as caligráficas são aquelas fontes desenhadas e  não são geralmente padronizadas;
  • O uso de serifa é presente;
  • Seu traçado não varia muito a espessura, somente em alguns casos.

Exemplos de fontes caligráficas: American Uncial, Commercial Script, Cancelleresca Seript, Bible Seript Flourishes.

 

Góticas (Fractura)

As góticas surgiram com o movimento gótico, no século XII, onde primeiramente apareceu na arquitetura religiosa. As formas grossas e acentuadas eram o que diferenciou o tipo, mas isso implica na constituição da página, pois as letras não formam certa conexão, tornando o texto ilegível.

Exemplos deste tipo são Fraktur, Old English, Koch Fraktur, Wedding Text, Forte Grotisch.

Bibliografia:

I Love Typography

Issuu

Criar Web

Produzido por:

Anúncios
Nota

História da Tipografia

5 nov

História da Tipografia

“As letras têm caráter, espírito e personalidade.”
Robert Bringhurst, 2005.

Há 5.000 anos, muito antes de usarem alfabetos, os habitantes pré-históricos da Península Ibérica identificavam os membros das suas elites gravando desenhos em placas de xisto – uma solução original. E uma boa introdução aos sistemas mais complexos que vieram depois.

A tipografia (do grego typos — “forma” — e graphein — “escrita”) é o processo de criação na composição de um texto, física ou digitalmente. Ela vem evoluindo desde a invenção dos primeiros tipos, por volta de 1450. Desde então, se tornou uma arte, estudada e apreciada, além de ser um item básico no dia a dia dos designers e artistas gráficos.
Assim como no design gráfico em geral, o objetivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação impressa. Por analogia, tipografia também passou a ser um modo de se referir à gráfica que usa uma prensa de tipos móveis.

Por muito tempo o principal meio de produção de livros era feita em manuscritos caligrafados pelos copistas. A produção era feita manualmente de maneira extremamente trabalhosa e árdua. Porém no século XV, surgiu uma nova fase em torno da produção de livros, que impulsionou uma importante evolução técnica para a fabricação deste material.
A invenção de tipos móveis metálicos permitiu a maior divulgação dos textos, que na época eram, em sua maioria, textos religiosos, jurídicos, históricos e científicos ligados diretamente ao público de estudantes, doutores, clérigos e magistrados.
Com a possibilidade de maiores cópias dos livros, o material pode chegar não somente à estudantes e mestres, mas também à classes populares.
No século seguinte já se imprimia em tecidos, cartas de baralho e estampas religiosas através da gravação de chapas de blocos inteiriços de madeira, apesar desse processo rudimentar, era possível a impressão de livros, através de pranchas únicas com o texto gravado na madeira. Nesta época também existiam caracteres móveis produzidos em argila cozida.

A invenção da Tipografia não é totalmente concretizada, por falta de referencias da época, não se sabe direito quem inventou esta técnica.
O que se pode falar é que o primeiro registro impresso com tipos móveis em metal foi obra do alemão Johhan Gensfleisch zur Laden, que preferia ser chamado entre amigos de “Gutenberg”, o mesmo ficou famoso pela impressão da bíblia de 42 linhas entre 1452 a 1455.

Porém, antes de ficar famoso pelo invento, Gutenberg foi mantido em segredo por muitos anos, pois a importância e as transformações de seu novo empreendedorismo acarretariam em mudanças no mercado da imprensa e poderia gerar um impacto comercial muito grande. Por conta disso, se formou um ambiente de mistério e segredos ao redor da invenção da tipografia.

Segundo relatos históricos, para que os tipógrafos não fossem descobertos, suas oficinas geralmente ficavam escondidas em ruínas e conventos, e funcionavam apenas de noite. Tanto mistério em torno da técnica, surgiu-se a crença que nessas oficinas era realizado práticas demoníacas e a tipografia em seus tempos mais primórdios ficou conhecida como uma arte maldita.

Passados os tempos de mistérios e chegados os tempos de imprensa, começaram a ocorrer mudanças significativas tais como o surgimento de novas técnicas e tecnologias, com sistemas de produção e reprodução mais revolucionários.
Pode-se dizer que a tipografia estabeleceu relações que, além dos aspectos estéticos e econômicos, priorizaram fundamentalmente as questões técnicas.
Conclui-se que o progresso cultural da humanidade ocorre em ciclos, com mudanças nos eixos de poder e de conhecimento. A história da tipografia reflete esses movimentos e quase sempre esteve condicionada a fatores de mercado.

Os copistas da Idade Média eram vinculados ao clero, e a produção de livros manuscritos era determinada por seus membros. Com a ascensão da burguesia, novos valores foram buscados e o interesse pela informação fez aparecer um crescente mercado produtor e consumidor.

Bibliografia

Produzido por: